sexta-feira, 28 de junho de 2013
Das sensações
Olhos pretos. Alma vermelha. Gosto especial para vinhos ruins.
Desejo absurdo de lembrar do gosto do beijo e da sensação da brisa despenteando, levemente, os seus longos cabelos encaracolados. A companhia não era das melhores, ele certamente não era o homem da sua vida e creio que ela sempre teve ciência disso, mas por algum motivo especial tal noite jamais fora esquecida. Ali pela primeira vez na vida ela se sentiu mulher. Da companhia ela até quer esquecer mas da sensação... Jamais!
quinta-feira, 13 de junho de 2013
"No teu abraço é que encontro a cura do mal"
Ela prefere som, ele imagem. Ela sonha alto, ele mantém os pés no chão. Ela ama ele e ele ama ela.
Ela acordou um tanto descansada ouvindo panelas batendo na cozinha, de imediato entendeu do que se tratava. Era ele preparando gentilmente a refeição, disposto a leva-la até a cama.
Como de costume ela fechou os olhos e deu um sorriso revelando a felicidade que vinha de dentro, do fundo da alma (se é que alma existe), o fato é que ele tinha o poder de faze-la se sentir em paz, apesar da vida agitada, do pouco tempo e das preocupações cotidianas.
De quando só existe raiva!
Quero escrever mas tenho medo. De sair palavrão, de falar opinião equivocada.
De xingar a mãe, o pai, o tio. De mandar tomar...
Melhor parar, antes que escreva mesmo merda.
sábado, 25 de maio de 2013
RODA
1.
Só queria saber se ele me amava.
E ele disse o que?
Que sim. Aí eu perguntei se ele já tinha me traído.
E ele disse o que?
Que não. Aí perguntei se ele jurava por mim, mortinha, grávida, embaixo de um caminhão.
E ele disse o que?
Que jurava. Aí eu pedi pra ele responder, com toda a sinceridade do mundo, se mentiria pra mim.
E ele disse o que?
Que sim.
E você disse o que?
Pelo menos ele me ama...
2.
Pelo menos ele me ama...
E você disse o que?
Que sim.
E ele disse o que?
Que jurava. Aí eu pedi pra ele responder, com toda a sinceridade do mundo, se mentiria pra mim.
E ele disse o que?
Que não. Aí perguntei se ele jurava por mim, mortinha, grávida, embaixo de um caminhão.
E ele disse o que?
Que sim. Aí eu perguntei se ele já tinha me traído.
E ele disse o que?
Só queria saber se ele me amava.
De Aída Polimeni no Blog Me conta uma coisa
terça-feira, 21 de maio de 2013
a)MAR
Vai tocar Chico e os Beatles e vocês jantarão à luz de velas. Quando se der conta, estarão trocando sms numa segunda-feira à tarde, durante o expediente.
Ele escreverá “ancioso” e você ignorará o erro de grafia, afinal, o abraço dele é melhor que a gramática.
Antes que possam prever, apresentarão amigos e talvez formem uma turma única. Talvez não.
Você ouvirá Arnaldo Antunes, Los Hermanos, Ramones, Legião, Zeca Baleiro e Belchior pensando nele. Ele terá ciúme da sua minissaia, do seu melhor amigo, das suas ligações e do seu ex. Você terá ciúme até da sombra dele, mas tentará disfarçar cantando lálálá mentalmente.
Vocês brigarão algumas vezes por bobagens que não valem um parágrafo. A reconciliação será tórrida e valerá cada cara emburrada.
Acostume-se. Nunca será um mar de rosas. Mar é feito d’água salgada, minha filha.
(E desde quando uma flor é mais bonita que a vista da praia?)
De Flah Queiroz, adaptado.
Passado-Passando
Comprei calcinhas novas. Uma variedade de cores e modelos, desde as de
algodão até fio dental. Declarei vida
nova e comecei pela parte de baixo, a mais sensível e necessitada. Depois joguei
fora todos aqueles perfumes desgraçados que me lembravam de você, parei de
fumar porque seu beijo tinha gosto de cigarros. E também apaguei aquelas nossas
conversas do meu MSN. Isso significa muito! O muito que gostei de ti e o quanto
preciso me livrar de tudo que lembra você. Comecei pelas calcinhas, isso deve
ser um bom sinal!
Desinteresse-tão-interessado
Olhei suas fotos na ânsia de descobrir porque gostei tanto de você.
Suponho que tenha me apaixonado pelo seu talento com as palavras, pelas suas teses, por sua falta de interesse, de-alguma-forma-interessado, pelo universo dentro do seu olhar.
Eu queria mesmo era desvendar os seus mistérios...
quinta-feira, 2 de maio de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
- Proibido proibir
E daí se ele é gay ou se ela gosta de transar?
E daí se ela é mãe ou se ele gosta de cuidar?
Se eu me respeito ou perco o jeito qual é o problema que tem?
Se eu ando a pé, de ônibus, de chinelo ou de trem?
E daí se ele queima um cigarro pra viajar em paz e esquecer desse mundo, dos seus medos de rapaz?
E se ela tem tatuagem e usa cabelo curtinho, se curte menina e não gosta de mocinho... Que é que há?
Se ele curte beber, se ela curte cheirar?
E daí se o coroa curte uma gelada num fim de semana qualquer?
E se ela é menina, mas curte mulher?
E daí, meu irmão, se o cara balança num reague e se a mina curte um funk?
Se ele é zem, anarquista ou tem cabelo vermelho punk?
Quem determinou que a liberdade é de direito autoral? Se for assim, eu assino e compro a minha parte. Eu pago com letras, eu quero pagar com arte!
No meu seio eu escrevi VIVER e se eu tenho esse jeito, qual a bronca que tem? Se eu vivo de boa, se eu me ligo no bem.
Determino, eu-que-não-tenho-nome, que a partir de hoje é e fica estritamente proibido proibir a felicidade e por meio destas vias ainda venho a dizer que não há razões entendíveis de não se aceitar o que se é. Se ele curte homem e se ela curte mulher que seja o que for, que seja o que der.
Diego Andrade no blog: Com as vergonhas de fora
AMAsso
Na esquina depois da meia-noite. Num bairro esquisito depois do pôr-do-sol. Na escada. No carro. Na lua. No meio da rua. No sofá de casa. No chão. Na varanda. Na cama. Seja onde for, nossas peles sempre se entendem!
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Do sentir
"O amor era suave e tinha um jeito de penetrar sem invadir, de libertar no abraço. O amor não era mais aquela insônia, mas sonho bom na entrega ao desconhecido. O amor não era mais a iminência de um conflito, mas uma confiança na vida. E, pela primeira vez, o amor não carregava resquícios de abandono, pois havia descoberto: o amor estava ali porque ambos estavam prontos. O Tempo estava certo"
Marla de Queiroz
"Não foi à toa que Adélia Prado disse que “erótica é a alma”. Enganam-se aqueles que pensam que erótico é o corpo. O corpo só é erótico pelos mundos que andam nele. A erótica não caminha segundo as direções da carne. Ela vive nos interstíci
os das palavras. Não existe amor que resista a um corpo vazio de fantasias. Um corpo vazio de fantasias é um instrumento mudo, do qual não sai melodia alguma. Por isso, Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: “continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos?"
Rubem Alves
— E qual é sua praia, Anastásia? — Ele pergunta […]
— Livros, — eu sussurro, mas por dentro, meu subconsciente está gritando: Você! Você é minha praia!
Cinquenta tons de cinza
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"Ele pega a minha mão e me puxa para um abraço, que eu aceito de bom grado, meu lugar favorito no mundo inteiro."
Cinquenta tons mais escuros
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